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Entrevista com a banda Laudany

Primeiramente quero agradecer a todos da Laudany pela entrevista.

Nesta primeira parte da entrevista eu gostaria que vocês nos falassem sobre a sua discografia.

1- Conte-nos a respeito da produção do EP “Trials and Punishments”:

HOOLIGAN – Foi um período muito criativo para nós. Ficamos bastante tempo amadurecendo as ideias das composições. A criação toda do conceito do disco desde a arte, os cuidados com os arranjos, as participações especiais e a escolha do estúdio para gravação foram muito importantes para o resultado final.

Produzimos o trabalho junto com nosso amigo Aldo D’Isep em seu estúdio na cidade de Salto, no interior de São Paulo.

Foram várias madrugadas de gravação o que contribuiu ainda mais para a atmosfera das músicas. Nosso querido mestre Amyr Cantusio trouxe várias ideias e sugestões que incorporamos nas músicas, tivemos também a belíssima voz da Mel Boa Morte na música criminal além da participação do Vlamir Ramos na gravação dos violinos em A Cold Whispers. Já faz um bom tempo desde a gravação, mas as lembranças permanecem muito vivas em nossas memória.

Wagner Barbosa: Isso é interesse, o trabalho de vocês traz as nuances do mais puro Doom Metal, aquela coisa bacana de se ouvir que encontramos algumas referências na cultura gótica e ao mesmo tempo aquelas referências explícitas a bandas como Black Sabbath, Candlemmas e tantas outras que deram origem a cultura Doom Metal. Uma coisa boa sobre este álbum e sobre vocês é o fato de conseguirem fazer um som dramático com a utilização de vozes e sinfonias melódicas e ao mesmo tempo se utilizarem de uma pegada mais forte de vozes mais sujas ( maduras), se eu fosse destacar alguma música deste  trabalho seria difícil de escolher, pois, a obra inteira me  soa musicalmente interessante, é aquele tipo de coisa que dá prazer de agente ouvir principalmente as faixas ” Learning to Fall” e ” Darkening the Youth”.

A faixa ” The Almighty Ego” também foi muito bem trabalhada as pegadas iniciais me lembram muito o Doom Metal dos anos oitenta com uma adição de influências da segunda  onda do Doom Metal nos anos noventa quando bandas de Doom começaram a fundir suas composições com o Gothic Metal, se utilizando de vozes mais líricas e de gutarias em momentos chaves das canções.

Agora falaremos sobre a formação da banda.

2- Como os integrantes da banda se conheceram?

ELITON – Na época eu ainda editava a Revista Valhalla e convidei o Hooligan (guitarra) e o Netto Carvalho (bateria) para formar a Laudany. A Laudany foi meu embrião no trabalho que desenvolvo como produtor/gestor cultural até hoje pela Som do Darma. Eu, Hooligan e Neto já éramos amigos e nos conhecíamos há muitos anos da cena metal aqui da cidade de Sorocaba. O Neto então logo depois nos apresentou o tecladista Wellington Moreira – a sintonia musical e pessoal foi imediata, é nosso amigo até hoje, mesmo ele não estando mais na banda. O mestre Cesinha Rodrigues foi o baixista na gravação do disco e em alguns shows importantes, e sua influência na Laudany também permanece até hoje, já que, além de um querido amigo, é meu professor de baixo. Já nosso querido frontman e irmão Moyses Prado, eu o conheci vendo um show dele num famoso bar da cidade (Sorocaba). Na época ele se apresentava com uma banda de covers e nós estávamos procurando um vocalista pra Laudany. Fiquei impressionado com o talento dele e no mesmo dia, assim que ele desceu do palco, dei um cartão e pedi que, por gentileza, fizesse contato comigo. O guitarrista da banda dele, na época, não ficou nada contente. (risos)

Wagner Barbosa: E o tal guitarrista não devia mesmo, eles perderam um ótimo vocalista, a história de formação de vocês é muito interessante tanto quanto o som feito pela banda que sem sombra de dúvidas é um dos melhores trabalhos de Doom Metal da cena brasileira que precisa ser mais divulgada e conhecida, existem muitas bandas boas no Brasil contudo infelizmente as mesmas não fazem aqui o mesmo sucesso que fazem lá fora. É triste que o roqueiro brasileiro de hoje não valorize o Rock do Brasil.

3- Quais atividades o Laudany estava realizando antes da pandemia de Corona Vírus?

ELITON – Estávamos finalizando as gravações do EP “NOW!”, já anunciado. Infelizmente, nem só a pandemia nos afetou, mas principalmente o falecimento do nosso irmão e baterista Netto Carvalho. Isso nos tirou do trilho totalmente. Mas a vida precisa seguir e a música é nosso oxigênio. O lançamento do single “Holy Wisdom – Dedicated to Netto Carvalho” fechou um ciclo na banda.

Wagner Barbosa: A morte de um integrante é sempre ruim desejo a todos da banda os meus mais sinceros pêsames, Netto Carvalho esta entrevista é uma homenagem a você irmão, paz.

4- Quem escreve as letras da banda?

ELITON – As letras do “Trials And Punishments” tiveram a contribuição de todos integrantes da banda de alguma forma, embora o núcleo criativo esteja entre eu e o Hooligan. Assim também se configurou o processo criativo das letras das novas músicas, como “Holy Wisdom”, lançada recentemente, e as outras faixas que estarão no nosso próximo EP, “NOW!”. Ao responder perguntas sobre as letras, sempre faço questão de elogiar o talento do nosso vocalista Moyses Prado que consegue criar linhas de vozes maravilhosas em cima de letras já compostas sem que o aspecto melódico fosse considerado durante o processo criativo.

Wagner Barbosa: Então ouve um entrosamento bem grande entre ambas as partes tipo uma reunião de amigos partilhando sua breja sem deixar ninguém na seca {risos}, hoje ainda é segunda feira falta um bocado para poder beber novamente, eu juro que não bebemos enquanto fazemos as entrevistas mas se alguém quiser trazer uma breja será muito bem vindo {risos}. Falando sério agora as letras de vocês realmente ficam muito boas e o vocalista consegue sintetizar todo o sentimento expresso pelas composições em harmônia com os instrumentos e convenhamos que isto não é fácil de se fazer em nenhuma canção sobretudo no metal aonde as escalas mudam constantemente em um segundo o vocalista está dando o melhor de si num agudo portentoso no outro ele já está fazendo um som melódico, isso é muito difícil, não é qualquer pessoa que consegue isto.

5- Como geralmente ocorre o processo de produção de uma música ?

HOOLIGAN – Não temos uma fórmula. A criação é bastante espontânea. As vezes nasce de uma ideia no instrumento, outras através de conversas entre nós. Muitas vezes o Eliton e eu estamos trocando ideia sobre assuntos variados e de repente dá aquele estalo: “Isso pode virar uma música!” e a partir daí vamos desenvolvendo. As melhores ideias sempre vem dessa espontaneidade.

Wagner Barbosa: A bem da verdade muitas músicas estouradas de diversas bandas surgiram em momentos de descontração, acho que a música vem quando ela tem de vir e pronto, as vezes forçar as coisas não é o ideal, deixar fluir é sempre bom, e essa espontaneidade na produção de algumas músicas deu super certo com vocês, os trabalhos da banda realmente são muito bons. É aquele tipo de coisa que agradará os ouvidos dos mais exigentes fãs de Doom Metal e ainda será musicalmente interessante para a cena do Metal como um todo, deixando um pouco de lado os rótulos, o tipo de trabalho que vocês executam estão entre as obras primas do Metal  nacional, as músicas são envolventes com uma boa mixagem, as linhas vocais tem uma harmonia muito boa com as partes do instrumental, é o tipo de som que é clássico e moderno ao mesmo tempo, algo realmente muito interessante de se ouvir, tipo na canção “Criminal”, que vocês deram ampla enfase num vocal feminino contrastando com o masculino fazendo um duo extremamente melódico, o começo desta música e depois os traços mais pesados de guitarra ao fundo nos momentos de mescla das vozes lembrou-me um pouco o clássico ” Solitude” do Candlemass.

6- Durante estes anos de existência da banda em algum momento vocês pensaram em desistir da jornada frente a alguma dificuldade?

ELITON – Embora nunca tenha anunciado seu fim, a Laudany permaneceu inativa entre 2009 e 2018. Foi uma pausa necessária. Cada um seguiu projetos pessoais diferentes, até que em 2019 nos reencontramos. Acho que esses encontros e desencontros não são movidos por dificuldades ou desafios, mas sim por processos naturais, por vezes necessários, para, justamente, nos disponibilizar a novos desafios. As dificuldades e desafios é que nos movem.

Wagner Barbosa: Compreendo! As vezes necessitamos realmente dar um tempo em alguns projetos para resolvermos algumas situações, a plugmetal por exemplo permaneceu inativa todo o ano passado devido a problemas pessoais meus.

Falaremos agora a respeito dos shows:

7- Conte a seus fãs algo engraçado que já tenha ocorrido no caminho, ou, durante algum Show, ou, ensaio.

HOOLIGAN – Me lembro uma vez em que tocamos em Campinas, na Hammer. Nosso tecladista tinha deixado a banda há pouco tempo e nós levávamos o teclado com as partes programadas. Quando íamos passar o som, a energia deu um piscada… Acabou e logo voltou, tudo certo. Começamos o som e de repente comecei a ouvir um som muito estranho, parecendo um buzina de bicicleta. Fiquei procurando de onde estava vindo, olhei para Moyses e para o Netto tipo: “que m… é essa?!” (risos). Paramos de tocar e o som continuou. Aí percebi que a “buzina” estava vindo do teclado. Parei ele e percebi que todos os programas estavam com aquele mesmo som de buzina! Aquela piscada de luz tinha desprogramado o teclado inteiro! Nunca tinha acontecido nada parecido comigo antes. Ficamos um olhando pro outro com cara de “e agora?!!” Ficamos uns bons minutos tentando entender o que tinha acontecido. A sorte é que eu sempre levava um disquete com os Backups dos sons e das programações. Caso contrário o show seria um desastre.

Wagner Barbosa: Ó merda mas que porra de falta de luz, mais um pouco e vocês perdem o show, ainda bem que alguém tinha o filho da puta de um backup.  Queria ter algo mais a comentar sobre isto mas realmente não tenho, apenas faço um adendo que nossas entrevistas são inspiradas naquelas entrevistas irreverentes que eram feitas a bandas nos anos 80, nós aceitamos o uso de palavrões sem a necessidade de censurar palavras.

8- Conte-nos a respeito  do show no Expomusic de 2003, que são não me engano foi a primeira grande aparição de vocês:

HOOLIGAN – Foi nosso primeiro show, ainda com o Cesinha no baixo. Foi muito legal porque a estrutura de palco que havia no auditório da Expomusic era muito boa. Tivemos uma apresentação bastante elogiada. Nessas apresentações da Expo, muitas pessoas circulam no auditório e percebemos que quando estávamos tocando a maioria de quem entrava permanecia. O auditório foi enchendo e quando terminamos havia bastante gente! Várias pessoas vieram conversar conosco após a apresentação para conhecer mas sobre a banda. Foi bastante gratificante para nós.

Wagner Barbosa: Acredito que este evento tenha sido aquele que abriu as portas para que as pessoas e inclusive as produtoras conhecessem o vosso som, depois dele vieram convites para abrir shows de bandas importantes o que eu gostaria de estar falando a respeito neste momento.

9- Conte-nos sobre a abertura para o show do Shaman:

HOOLIGAN – O local do evento foi em clube bastante grande aqui de Sorocaba, onde a maioria dos grandes espetáculos eram feitos. Foi um festival com várias bandas se apresentando em dois palcos secundários. Estávamos bastante ansiosos porque fomos convidados para fazer a abertura do Shaman no palco principal, com o mesmo equipamento e iluminação deles. O Shaman estava crescendo bastante em popularidade e estávamos com uma expectativa de ótimo público. Lembro de conversar com o Netto sobre isso: “Aí Nettão…vai ser legal.

Acredito que vai ter umas 1000 pessoas!”. Fizemos a passagem de som, com aquele som monstro! Equipamento de primeira, luz para tudo que é lado…Puta produção! Terminada a passagem de som, fui para casa para tomar um banho e me preparar para o show e pouco tempo depois o Netto me ligou falando voltar para evitar atraso, porque o estacionamento estava começando a ficar cheio. Beleza, fui para o evento e realmente o estacionamento estava começando a ficar cheio. Ficamos um bom tempo na parte interna, onde ficam os camarins trocando ideia e nos preparando para o show. Quando subi para ver como estavam os shows das outras bandas, olhei do palco principal deu um certo frio na espinha…kkkk. O lugar estava lotado! No intervalo das bandas o público ficava gritando : “Shaman….Shaman…Shaman”. Pensei comigo: “Vamos ter que fazer um puta show senão seremos trucidados”. Quando subimos pra tocar, o som estava incrível! A iluminação impecável, graças ao nosso amigo Bola, que trabalhou com agente em outros shows também. A interação do público foi fenomenal! Foi o show com mais público que tocamos até hoje. E foi muito legal ter feito isso aqui na nossa cidade.

Wagner Barbosa: Interessante este foi então o maior momento da carreira de vocês. Toda a banda na primeira grande apresentação sempre passa por esse “frio na espinha” , e os que dizem não passar são uns putas mentirosos, lembro-me do Show da Banda Lacuna Coil no início deste ano aqui no Rio de Janeiro, a banda de abertura ia dentre suas músicas fazer uma homenagem ao Sepultura, a mesma ficou du caralho , porém o semblante de alívio deles pelo público ter recebido bem a homenagem era perceptível a todos { risos}, o primeiro grande show é complicado, nunca se sabe como o público vai reagir, os holofotes estão ali e as vezes infelizmente tem mais dedos para apontar e criticar do que mão para aplaudir, ainda bem que com vocês tudo ocorreu bem e  o público gsotou.

10- Conte-nos sobre a abertura para o show do Moonspell:

HOOLIGAN – O show com o Moonspell foi mais frio. Foi muito legal também, som, luz, tudo perfeito. Foi no DirectTV Hall, como era chamado na época. É muito legal tocar nessas casas de shows com infraestrutura de primeira. As críticas que recebemos desse show foram bastante positivas, mas não foi um dos nosso melhores shows não. Foi muito legal dividir o palco com o Moonspell e conhecer os caras! Fizeram um show impecável!

Wagner Barbosa: Entendi! Os caras realmente são muitos bons, o som deles muito me agrada.

11- Em qual lugar vocês atuaram pelo última vez? Conte-nos um pouco sobre isto.

HOOLIGAN – Nosso último show, se não estou enganado, foi aqui em Sorocaba, no clube América. Foi um festival no qual fomos headliners. Me lembro que tocamos tarde para caramba! Eram muitas bandas {risos} e o Netto comeu todas as pizzas que tinham deixado para gente no camarim {risos}.

Wagner Barbosa: Mas que grande filho da mãe foi o Netto {risos}.

12- De todos os Shows já realizados quais foram os mais marcantes?

HOOLIGAN – A Abertura para o Shaman, pelos motivos que já mencionei, e show na Thorns Gothic Rave, não me lembro o ano. O clima desse festival foi muito único. Só estando lá para entender mesmo.

Wagner Barbosa: Que interessante!

13- Falaremos agora do futuro, quais são os seus projetos para o futuro?

ELITON – Após o lançamento do single “Holy Wisdom – Dedicated to Netto Carvalho”, em homenagem ao nosso eterno baterista Netto, os planos são de lançar o EP que já tínhamos anunciado, intitulado “NOW!”, agora com três faixas: “Evolution”, “Timeless” e “Straight To Endure” (cover do Ramones).

Wagner Barbosa: Interessante! Fico imaginando como será o cover do Ramones na voz de vosso vocalista, eles foram uma banda enorme, os trabalhos destes caras marcaram muito a minha adolescência, lembro-me de uma porta de madeira de meu quarto pinchada com o nome de várias bandas inclusive o Ramones, ao lado dela tinha um poster do Metallica e outro do Pantera, alguns posteres de bandas góticas na parede de frente, bons tempos que não voltam mais, envelhecer é um pé no saco {risos}.

HOOLIGAN – Já gravamos toda a parte instrumental e parte dos vocais. Precisamos concluir a gravação das vozes. A pandemia atrapalhou bastante nosso planejamento.

Wagner Barbosa:  O público aguarda este lançamento, é bom que o trabalho já está adiantado.

14- Citem algumas bandas que emergiram da mesma cena que vocês e comentem acerca do Underground local.

ELITON – Entre as bandas contemporâneas à época do surgimento da Laudany, devo destacar nossos amigos da Ravenland, hoje Wolfheart And The Raves, e também Sunset Midinight, entre outras que tivemos oportunidade não só de dividir palco, mas de estabelecer uma relação de amizade e parceria.

Wagner Barbosa: Raveland eu já tinha ouvido falar as demais não conhecia, estarei procurando estes trabalhos e recomendo ao nosso público que de uma pesquisada, tem muitas bandas boas no Brasil, muitos trabalhos sérios que precisam apenas de mais empenho na parte de divulgação, eu diria mais oportunidades.

HOOLIGAN – Além dessas, eu citaria a Trinnity, na qual a Mel Boa Morte era vocalista. Era bem legal essa banda.

Wagner Barbosa: Essa banda eu também não conheço, este nome apenas me remete a filmes antigos de Velho Oeste {risos}, aliás para quem curte o gênero eu super recomendo buscar este filme, aliás são alguns filmes. 

15- Se vocês pudessem colaborar com uma banda ou músico atual, quem seria?

ELITON – Acho que atual é todo mundo que ainda está produzindo música. Não acho que seja adequado categorizar trabalhos e artistas em determinados períodos do tempo. E eu justamente admiro músicos e artistas que transgredem convenções, padrões, inclusive os relativos ao tempo e espaço. Artistas como Robert Fripp, Jaz Coleman e Peter Hammil estariam nessa lista com certeza.

Wagner Barbosa: Entendi! A visão de mundo de vocês é bem ampla pelo visto, isso é muito bacana, sabe quase todo mundo tem o sonho de tocar ao lado de seu ídolo, tipo aquele cara que faz Power Metal e o grande sonho dele é dividir um palco com o Helloween. 

16- Se vocês pudessem tocar em qualquer festival do mundo, qual escolheriam e por quê?

HOOLIGAN- Não tenho isso como sonho ou meta. Qualquer oportunidade que tenhamos de tocar em qualquer festival está valendo. Fazendo sentido para gente, estou dentro.

14- Se vocês pudessem mudar uma coisa sobre a indústria da música, o que seria?

ELITON – Que não houvesse uma “indústria da música”. (risos)

HOOLIGAN – Boa Eliton!(risos)

 

17- Citarei dez clássicos do Doom Metal nos diga se alguns deles fazem parte de sua influência musical e caso sim , o que representam na sua vida.

1) Candlemass- “Epicus Doomicus Metallicus”

ELITON – As influências da Laudany são mais fluidas e nem tão esteticamente voltadas ao doom metal. O Black Sabbath é a referência basilar, e daí em diante surgem influencias e referencias bem distintas e plurais. Há referências da música gótica, do thrash metal, pós-punk das bandas synthpop dos anos 80. Mas, como disse, tudo de forma mais fluida, sem que isso determine ou defina um caminho estético para as composições. De qualquer forma, “Epicus Doomicus Metallicus” é um clássico do Doom Metal mundial e com certeza, para mim, o Candlemass pode sim ser considerado uma referência. É uma das minhas bandas preferidas.

Wagner Barbosa: De fato as influências de vocês não estão apegadas á um único estilo ou á um grupo limitado de estilos, mas resolvi mesmo assim focar apenas no Doom Metal nesta parte {risos}, o Candlemmas realmente é um grande clássico do Doom creio que uma das bandas mais importantes da história do Heavy Metal, pois, eles conseguiram dar continuidade á uma qualidade sonora que o Black Sabbath  fazia e havia deixado para trás e as investidas deles neste tipo de som e também de outras bandas como o Trouble acabaram por originar o que hoje chamamos de Doom Metal.

HOOLIGAN – Candlemass me agrada bastante.

Wagner Barbosa: A mim também me agrada bastante.

2) Krux – “II”

ELITON – Tudo feito pelo  Leif Edling tem um toque especial.

Wagner Barbosa: Esses caras realmente fazem um som de primeira qualidade e o Leif Edling é um dos melhores baixista e compositores de Doom Metal de todos os tempos, o som desses caras é atemporal , uma coisa muito agradável de se escutar.

3) Pagan Altar – “Volume 1”

ELITON – O Pagan Altar sempre me faz lembrar do meu amigo Jean Praelli, baterista do Living Metal, que é grande fã dos caras.

Wagner Barbosa: Eles  tem um trabalho de grande prestígio e estima  juntamente com os caras do Witchfinder General , fazem parte daquelas bandas envolvidas com a criação do Doom Metal, o Pagan Altar conseguiu sintetizar muito bem as suas influências do Black Sabbath no início de carreira antes da criação da Nova Onda do Heavy Metal Britânico para fazer frente ao crescente entre os jovens da cultura punk  { risos}.

4) Solitude Aeturnus- “Beyond The Crimson Horizon”

ELITON – Adoro essa banda, mas prefiro o “Through the Darkest Hour”.

Wagner Barbosa: O Solitude também tem uma grande importância na história do Doom muito embora eu conheça pouco a respeito deles, sei que a banda teve vários ex integrantes  e que o som é de extrema qualidade.

5)  Trouble – ” Psalm 9″

ELITON – Outra das minhas preferidas. Aliás, talvez, o Trouble, entre todas as bandas de doom metal, seja a minha número um. Amo o “Psalm 9”, mas prefiro o disco autointitulado de 1990 e o “Manic Frustration”. Ah, e por coincidência ou não, estou respondendo essa entrevista usando minha camiseta do Trouble.

Wagner Barbosa: O trabalho deles é muito exitoso, muitas de suas composições como “RIP”, ” Run To The Light” , ” Psalm 9″, marcaram a história do Doom Metal, creio que eles são uma das bandas mais icônicas deste movimento.

HOOLIGAN – Também ouvi bastante o autointitulado 90. Sempre que leio a palavra Trouble em qualquer lugar, imediatamente vem a capa do Psalm 9 a mente.

Wagner Barbosa: Esse álbum foi matador na história da banda muitas músicas de extrema qualidade dali partiram, eles fazem o mais puro e sujo Doom Metal neste álbum.

6) Witchfinder General – ” Death Penalty”

ELITON -Amo! Mas os conecto muito mais a sonoridade clássica das bandas da NWOBHM do que ao Doom.

Wagner Barbosa: De certo eles tem muita influência de NWOBHM, mas ainda consigo perceber influências importantes de Doom na obra deles, de qualquer modo não deixam de ser uma puta banda de qualidade sonora incrível aos ouvidos de qualquer  espectador da cultura Heavy Metal.

7) Black Hole -“Land Of Mystery “

ELITON – Caralho! Foi fundo nessa, hein!

Wagner Barbosa: Exato! E é recíproco não tenho nada a comentar sobre eles, desconheço totalmente a carreira e história dos caras, estou limitado a saber que eles tem um som de Doom e fazem parte da história do movimento {risos}.

8) Reverend Bizarre – ” Crush The Insects”

ELITON – Ouvi alguns discos deles, nunca me chamaram tanto a atenção, embora seja uma banda massa.

Wagner Barbosa: É eles tem um trabalho interessante embora a mim também não tenha chamado tanta atenção como ocorreu com Trouble, Candlemmas , Pagan Altar etc…, mas não deixam de ser uma boa banda com uma ótima qualidade sonora, é um tipo de trabalho que embora não seja nada excepcional ao menos para mim ainda sim vale apena ser ouvido.

9) The Obsessed “Lunar Womb”

ELITON – Porra! Não citou o Saint Vitus mas pelo menos lembrou do mestre Scott Weinrich. Prefiro o “The Church Within”!

Wagner Barbosa: Saint Vitus é um trabalho fenomenal.

10) Cirith Ungol – ” Paradise Lost”

ELITON – Outra banda clássica. Foda!

Wagner Barbosa: Realmente outro bom trabalho dentro do Doom Metal.

18- O que vocês tem feito para manter a união da banda nestes tempos de pandemia de Corona Vírus?

ELITON – No nosso caso não foi só a pandemia que surgiu como obstáculo, mas o falecimento do nosso baterista. Fizemos uma reunião, eu, Hooligan e o Moyses Prado e decidimos que continuar em frente era a única decisão que fazia sentido. Aqui estamos nós… Participamos da primeira edição do “Roadie Crew – Online Festival” com um vídeo para uma nova versão acústica de “Loosing Shelter”, lançamos o novo single, “Holy Wisdow – Dedicated To Netto Carvalho”, e estamos esperando, como todo mundo, uma vacina para podermos nos reencontrar novamente em estúdio para finalizar as gravações de vozes do EP “NOW!” para, então, lançá-lo. Paralelamente a isso, eu e o Hooligan formamos também uma nova banda chamada Lived, com a qual temos conseguidos criar e gravar novas coisas, mesmo a distância. A nossa estreia será com um cover colaborativo que fizemos com nossos irmãos do Imago Mortis de uma música do Killing Joke, uma influência para ambas as bandas. O vídeos estreia na edição de Agosto do “Roadie Crew – Online Festival” que vai pro ar no próximo dia 14.

HOOLIGAN – A partida precoce do Netto nos fez refletir bastante sobre a continuidade da banda. Temos muito material já gravado por ele. Vamos seguir lançando esse material. Acredito que seria a vontade dele também. Como a pandemia atrasou a finalização do nosso novo EP, estou organizando todo esse material que já temos para seguir com as gravações do que virá após o EP “Now”.

Wagner Barbosa: Compreendo!!

Novamente agradeço pela entrevista e deixo este espaço aberto para que vocês deixem um recadinho especial ao público.

ELITON – Eu que agradeço o seu tempo, Wagner, por ter dedicado seu tempo para conhecer nosso trabalho a fundo e ter elaborado essa entrevista. Responder suas perguntas foi um grande prazer e alegria. Ficarei mais feliz ainda se algum dos leitores do Plug Metal se interessarem pelo nosso trabalho e forem dar uma conferida.

HOOLIGAN – Agradeço pela oportunidade da entrevista! Ficamos felizes em poder compartilhar nosso trabalho e algumas histórias de nossa trajetória até aqui.

Essa entrevista é em especial uma homenagem ao Baterista Netto Carvalho e a sua trajetória no mundo da música, obrigado Netto, descanse em paz.

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